Na Zdravie #outravida

Há muitos anos, noutra vida, era eu alto, espadaúdo , louro e de olhos claros, fui de férias para um país que, na altura, era bastante exótico , ter com um amigo que é nativo de lá.

Ele tinha começado a namorar com a sua actual mulher há pouco tempo, e, aproveitando o facto de que os pais dela estavam fora fomos abancar lá para casa durante uns dias.

Uma bela moradia de dois andares para os padrões  de lá, tendo em conta que foi noutra era – eram, e são, gente da nota.

 

Fomos muitíssimo bem tratados, comida e bebida do melhor, não só em qualidade mas também em quantidade, especialmente a bebida. Aguardente caseira à descrição…

 

Depois de uma tarde bem passada em vários pubs, fomos jantar qualquer coisa em casa, com mais um amigo que se tinha juntado a nós durante a tarde – não me lembro do nome dele, mas era boa pessoa, generoso ao ponto de me oferecer a sua influência para obter um preço vantajoso junto de profissionais  não colectadas, caso eu estivesse interessado.

 

Durante o jantar, os quatro conversámos e rimos, enquanto consumíamos cerveja, vinho e, especialmente, aguardente. Apesar de todo o  meu arcaboiço, fiquei com um lapso  de memória…

 

Lembro-me de acordar no andar de cima, a dormir na cama da anfitriã, que estaria algures com o meu amigo, com uma terrível vontade de mij… ir à casa de banho e com a boca muito seca, com um gosto horrível, como se alguém me tivesse ido obrar para a boca enquanto dormia.

 

Saí do quarto e fui procurar a casa de banho.

 

Abri todas as portas que encontrei, umas 7 ou 8, e mesmo repetindo  alguns sítios, não encontrava a casa de banho… Num dos quartos onde tinha entrado, reparei que havia uma cama de casal e uma varanda – era nitidamente o quarto dos donos da casa. Passados 7 ou 27 minutos, cada vez mais aflito  e sem encontrar a casa de banho – até voltei a entrar no quarto onde estava acomodado – decidi que não ia esperar mais. Contra todos os meus princípios, numa das vezes que entrei no quarto dos pais da anfitriã, fui à varanda e fiz o que precisava de fazer para o quintal, lá em baixo… Alívio, mas só parcial.

 

Quando tentava voltar para o quarto onde estava acomodado, um pouco combalido, reparei que ele tinha desaparecido! Aquele lugar exótico era mágico. Como voltei a entrar várias vezes no quarto da varanda, bastante agastado com o humor das fadas traquinas lá do país onde eu estava e com uma necessidade incrível de voltar a dormir, decidi descansar um bocadinho no quarto dos donos da casa. Como pessoa séria e responsável que era, o meu código de honra impediu-me de me deitar na enorme cama de casal que havia lá no quarto – era a cama dos donos da casa, caramba! Em prejuízo do meu bem-estar e em favor da preservação dos meus valores e princípios, deitei-me num dos tapetes do quarto onde adormeci quase de imediato.

 

Passado não sei bem quanto tempo, acordei e achei que era boa ideia ver se as fadas já tinham posto o meu quarto no sítio. Voltei a abrir umas 14 ou 17 portas, mas só passado um número de minutos indeterminado  é que as entidades lá tiveram pena de mim e voltaram a fazê-lo aparecer. Tive uma noite santa!

 

P.S.

No andar de cima  existiam: o quarto dos donos da casa, um quarto que seria do irmão da anfitriã, uma divisão que não me recordo o que seria, o quarto onde eu estava alojado, a casa de banho – porta ao lado do quarto onde eu estava alojado – e a saída para as escadas que as fadas tiveram o bom-senso de fazer desaparecer durante a noite.

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