Monthly Archives: Junho 2019

Como os Putos

Sofro de insónias. Sim, sofro. É muito aborrecido mesmo! Há dias que se não fizer uma sestazinha à tarde tenho insónias em cadeia, ou seja, chega-se às 8 da noite e eu já com uma pedra de sono que não me aguento. Qual velhinha, antes das 10 da noite estou na caminha. O resultado é que antes das 3 da manhã estou desperto.

Por causa deste pseudodrama arranjei um portátil para trabalhar na sala/cozinha, uma vez que gostava de terminar o doutoramento. Foi na sala/cozinha que passei esta madrugada, a trabalhar na tese, ler e responder a e-mails e a ver as notícias do dia, bem fresquinhas. Por volta das 5 e 30 da manhã, já com meio dia de trabalho feito, decidi ir beber um café. Assim foi. Tirei o café, meti a chávena em cima do microondas, microondas esse que está no móvel que faz a separação virtual entre a sala e a cozinha, para não ter que andar com a chávena na mão, dei a volta, e antes de me sentar e esticar a mão para pegar na chávena que estava em cima do microondas, para a pousar a meu lado, na mesa onde estava a trabalhar – e estou agora a escrever isto –, a gula fez-me parar para apanhar um pedaço de chocolate, 100% cacau, que adoro, e estava em cima da mesa. Ao alcançar a embalagem da tablete de chocolate, reparei numa gosma na toalha da mesa, que é estrategicamente de plástico. Levei a mão à boca para ver do que se tratava.

Se fosse venenoso tinha patinado…

Era chocolate… o chocolate feito 100% de cacau! Estava derretido! Reparei que o chocolate estava muito perto do portátil, do respiradouro por onde ele bufa o ar quente para se arrefecer. O meu chocolate estava derretido na mesa!

Afastei tudo e limpei com um guardanapo de papel o que consegui. Fui, cuidadosamente, até à casa de banho, sem tocar em nada, e lavei e relavei muito bem as mãos.

Imagem de arquivo: Eu com uma tablete idêntica na mão.

Imagem de arquivo: Eu com uma tablete idêntica na mão.

Quando a Sofia acordou, limpou-me os dedos, a cara, a parede e o sofá. A parede limpou-se bem, o sofá não tenho tanta certeza se saiu tudo. O portátil tem um bocadinho no respiradouro e a Sofia acha que consegue limpar o resto. Falou em usar um garfo e papel…

O resto do chocolate está no recobro, dentro do frigorífico.

O Meu Epitáfio

Tenho dado por mim a pensar mais vezes que o desejável no meu epitáfio. Não que ache que vá morrer! Quer dizer, claro que vou, só não acho que isso esteja para breve.

Cada vez tenho mais certeza do que quero, e já o disse à Sofia muitas vezes.

Para além de uma parte de mim que é bastante agradecida à vida, às pessoas com quem me tenho cruzado, existe outra, muito negra, que deseja, inclusivamente, que algumas pessoas morram, devagarinho! No meio termo existe uma parte de mim, que viaja nesta vida no threshold da hipocrisia necessária ao funcionamento da sociedade. Essa é a parte mais tóxica para mim. Não sei bem como lidar com ela, até porque existem situações que incomodam consoante os oscilos do threshold, que varia influenciado por um conjunto de variáveis indefinidas. Por exemplo, sei que estar com fome e sono encolhe fortemente o threshold! Nessas alturas é bom estar em casa, sozinho, e, preferencialmente sem telefones e sem acesso à Internet – o risco de disparate é elevado.

“Pausa semiforçada para almoçar”

É interessante o que acabou de acontecer. Parei de escrever, no fim do último parágrafo, porque o computador estava irritantemente lento. Aproveitei para ir almoçar, e como se o Universo me quisesse dizer: Tens razão!, cá estou eu de volta à escrita, mais bem-humorado, apenas por ter almoçado – sim, o computador continua lento e acho que vou ter que reiniciar isto.

Como estava a ponto de escrever, existem situações que quase me tiram do sério, especialmente quando são feitas de forma reiterada. Não vou descrever nenhuma porque correria o risco de alguém achar que eu estou a escrever a pensar em si. Não estou! Não estou a pensar em nenhuma situação em particular nem a pensar a ninguém em particular.

Isto faz-me pensar que muitas coisas das que me chateiam a mim, devem chatear outros. Falo de situações perpetradas por mim! A pessoas que se sintam assim, ou assado, por causa de mim, a pessoas que achem isto, ou aquilo, de mim, eu peço: Falem! Digam-me! Perguntem-me! Mil motivos podem estar por de trás de alguma coisa, coisa essa que tenham mesmo a certeza absoluta e analítica que sabem. Talvez não saibam… Por omissão, sou boa pessoa. O contrário também pode acontecer, seja inadvertidamente, seja por algum motivo que, em princípio, não terei problema em esclarecer, caso essa oportunidade me seja dada.

A todas as pessoas que moram no threshold e com quem eu até já tentei falar, que continuam reiteradamente a ter comportamentos “tontos”, a quem me tenta volta-e-meia mentir, esperando que eu não “tope”, eu quero dizer que, em princípio, gosto de vocês, mas o meu epitáfio será para todos vós:

Não desculpo!