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Pessoa – Está tudo bem?

Eu – Claro! Tenho apenas um pequenito defeito no cromossoma 22, e tirando 4 ou 5 coisas importantes e graves que se alargam para quase todos os âmbitos da vida constrangendo-a fortemente, sentir-me aprisionado por bloqueios mentais da sociedade, ter que responder a perguntas idiotas com demasiada frequência e mais umas 300 ou 3000 coisas importantes, graves, a que ninguém liga nenhuma, e eu próprio desconheço, mesmo tendo a certeza que existem, está tudo fantástico!

Pessoa – Tens que ter paciência.

Eu – Pois tenho… peço desculpa pela sobranceria de me arrogar a não querer levar com os problemas dos outros, não ser saco de pancada de nada nem de ninguém, de não fazer grandes conceções a boa parte das convenções sociais por, imagine-se a altivez, achá-las desprezíveis e nefastas, por achar que os meus próprios problemas e causas que me afligem já são mais do que o que consigo suportar, por ter limites mentais que já foram ultrapassados algumas vezes e ter sido o cabo dos trabalhos manter a sanidade e recuperar o discernimento que tinha sido extraviado pelos próprios problemas e pelo o pequenito defeito no cromossoma 22.

Pessoa – Doutoramento? Que bom, pelo menos estás ocupado.

Eu – Pois é. Que sorte… Não tinha mesmo mais nada para fazer, nem preciso de ganhar dinheiro. Tive que me dedicar a um flagelo da sociedade reconhecido conscientemente mas não subconscientemente, que precisa de ser resolvido, onde posso dar um contributo, com o stresse que isso implica e o provável mas desconhecido impacto ao meu pequenito defeito do cromossoma 22. Já me estou a imaginar no martírio que ia ser passar o tempo a conversar com amigos, ler livros, ouvir música e disfrutar da companhia da Sofia e brincar com o Lupi.

Pessoa – Toda a gente tem problemas.

Eu – Pois tem… peço desculpa pela sobranceria. Aceito permutas!

Pessoa – É preciso espírito de sacrifício!

Eu – o meu já tem a largura de banda toda ocupada.

Pessoa – Se fosse fácil não tinha piada.

Eu – Tinha, tinha

O Lupi, segurado por mim, em duas patas. Eu estou sentado no braço do sofá e o Lupi está a sorrir para a fotografia e a abanar o rabo. Eu também!

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