Mau Vinho

Tenho que aproveitar enquanto decidi ter tempo e a cabeça fervilha por isto. Cá vai:

Tenho alguns problemas de ca… Digestão. Depois de uma gastro endoscopia sem resultados negativos e explicativos, decidiram-se pela “bomba atómica”. Uma colonoscopia. Depois de muito protelar um telefonema para o hospital a agendar o procedimento, o hospital fartou-se e ligou-me a mim. Procedimento agendado, recebo pelo correio um pacote que o Lupi recolheu e me entregou – Cão bom! – que tinha papelada a explicar todo o procedimento – resume-se a meter um tubo com uma câmara pelo “proio “ acima – e umas “saquetas”. As saquetas destinavam-se a ser dissolvidas num litro de água cada uma – eram duas -, e tinham que ser bebidas num determinado espaço de tempo, de uma certa maneira. O objetivo era, claro, limpar a tripa.

Depois de uma semana a comer coisas tristes e sem poder beber, se quer, uma cervejinha, sabendo o que me esperava, agarrei na garrafa com o preparado da saqueta que a Sofia me tinha deixado, amorosamente, no frigorífico, uma garrafa de água que devia beber no meio tempo, peguei dos meus dois telemóveis – um com cartão inglês e outro com cartão português -, que, certifiquei-me, estavam carregados, e, por volta das 16h45 mudei-me para a sanita. Ouvi podcasts, li notícias e tretas mais, ao mesmo tempo que ia bebendo a mistela – que até sabia bem até ter deixado de estar fresca. Caramba, cuidados providenciais. Foi sem aviso…

Quando a Sofia chegou a casa – tínhamos estado ao telefone durante a viagem dela do trabalho até casa -, preparou-me a segunda saqueta. Como decidi que não ia prolongar por muito tempo a estada, acelerei a beberagem da segunda saqueta.

Estive na sanita das 16h45 até às 23h30, constantemente, e, depois de ter, finalmente, ido para a cama, ainda me levantei duas ou três vezes. Foi um quinto aniversário de casamento bem romântico!

No dia seguinte uma simpática enfermeira explicou-me tudo outra vez – e.g. …podes morrer mas é improvável…; …dor…;..pedes para parar…; … ar nos intestinos…; sedação…- e segui para a sala do procedimento. Perguntaram-me várias coisas – e.g. se tomava alguma coisa para fortificar o sangue -, respondi que não a tudo, a menos que a Guinness fosse medicamento. Deram-me a sedação e disseram-me que iam esperar para que fizesse efeito. Por fim, disseram-me que ia sentir desconforto, e sim, senti, durante um segundo. Após esse segundo disseram-me: Está feito!

Em meu abono, e para que não existam más-línguas, tenho a dizer: pelo menos não gostei.

Eu sentado na sanita fechada, completamente vestido. Com olhar brincalhão.

P.S.

O um abraço aos meus amigos homossexuais pelos quais sinto amizade, afeto e respeito, que não distingo, e, com orgulho, não tenho que fazer esforço racional para que isso aconteça.

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