Monthly Archives: Janeiro 2019

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Queda acrobática com arrancamento de porta de casa de banho: nada a assinalar;

Passagem da posição deitado para sentado no sofá para atender o telemóvel que estava estrategicamente guardado dentro de uma pantufa: Dor, muita dor! Mal podia andar. Mesmo agora só consigo porque estou com botas que me estão a servir de tala. Tenho que andar de botas dentro de casa! E mesmo assim dói, dói que se farta!

O Lupi com arnês e uma capa vermelha, acabado de chegar da rua, comigo ao lado a segurar na trela, completamente vestido, incluindo gola para o frio, óculos de sol, chapéu e sobretudo, ao pé da porta nova, recém-instalada.

P.S.

Já estou melhor, muito melhor. Se ponho gesso dou cabo da parte muscular, que no meu caso

é muito grave. Mas é só um dedo que pode nem estar partido. Até está a ser giro sair da cama e calçar as botas para ir fazer um chichizinho…

Disarm e crosscheck

A estada em Portugal teve uma ida particular – foi ótimo estar com amigos e família. Parecia que o universo dizia “olha a tua saúde. Tratam tão bem de ti aí”.

Como estou um bocado escaldado com problemas em aeroportos, chateei a Sofia para ir absurdamente cedo – se não tivesse sido assim as coisas tinham corrido mal, de certeza! Depois de estar um ror de tempo na zona da assistência lá fomos para o check-in. Chegados lá, tudo impecavelmente ágil. Fomos prontamente avisados que o voo ia sair atrasado, devido a um problema de técnico… diz que o avião tinha saído de Lisboa e voltado para trás – o quê?! – e deram-nos um vale de alimentação – na verdade foram dois, um para mim e outro para a Sofia – no valor de sete libras – cada um. Fiquei a pensar que raio iria fazer com tal montante – será que iria enfartar com tanta comida que ia ter que meter para dentro?

Depois de nos levarem para a zona da assistência que existe depois do controlo de segurança, e de algumas chamadas a avisar os pais da Sofia – que nos iam buscar ao aeroporto Humberto Delgado -, a tentar demovê-los de nos ir buscar que “ficávamos em Lisboa a passar a noite”, sem sucesso, fomos tratar de gastar a fortuna que nos tinham dado, no BurgerKing, pagando o remanescente, claro.

Depois de uma faustosa refeição, continuámos à espera, e à espera, e à espera, com o tempo indicado para a saída do voo a ficar cada vez mais, e mais, e mais, e mais tarde. Entretanto, sabíamos que o avião vinha a caminho – ótimo!

Entretanto, a Sofia já tinha tirado a fatiota do Lupi, e alterado a sua função para “caminha” – o cãozinho sofre com o frio, que até treme, pobre animal.

Passadas horas o avião lá chegou.

Antes de ir para a porta de embarque quis ir à casa de banho. Foi incrível, a casa de banho para deficientes que está depois do controlo de segurança é fantástica. Materiais impecáveis e, para meu espanto, áudio-descrição – sim, numa casa de banho! Resulta bem, pelo menos comigo. A casa de banho era mesmo impecável, muito futurista e limpa – estravagância. Parecia feita por extraterrestres de rabo gigante – ia caindo para dentro da sanita.

Atenção. O vídeo acaba com um som muito alto, feito por um secador de mãos.

Brinquei com o assistente perguntando se “já tinham aparafusado a asa” – Sofia: “não sejas estúpido” – ao que o assistente retorquiu: “Asa? Qual asa?”. Chegados ao portão de embarque, onde estavam a sair os passageiros chegados de Lisboa, a Sofia perguntou ao responsável pelo embarque se estava tudo bem, questão prontamente respondida, que sim, que “todos os passageiros vindos de Lisboa tinham chegado bem”.

Ao entrar no avião, voltei a brincar com um comissário de bordo – hospedeira, hospedeiro, ou lá como se diz– adoro-vos, são sempre muito simpáticos e dão-me mais comida e vinho -, perguntando se “já tinham aparafusado a asa”. Acho que não fui muito sensível…

Passado bastante tempo, o comandante disse ao microfone que pedia desculpa porque “havia um problema de manutenção com um parafuso desapertado numa asa, já resolvido. Podemos então prosseguir a nossa viagem para Lisboa em segurança.” – o quê?!

Passado mais algum tempo de espera parados na “placa”, a Sofia disse que já tinha pensado sair do avião várias vezes. Ainda estava a prenunciar a palavra “vezes” e “olha… está a andar.”.

O voo foi fantástico, suave desde a descolagem até a aterragem – obrigado à tripulação por serem tão simpáticos e terem-me dado mais comida e bebida.

Já em Lisboa, muito tarde, ao sair do avião, de acordo com a Sofia, estavam uns senhores com um escadote, lanterna a apontar para uma zona da asa, uma mala de ferramentas e uma chave a fazer alguma coisa na asa.

P.S.

A aviação tem padrões de qualidade incríveis. Um avião moderno, mesmo com alguma questão de manutenção, consegue transportar-nos em segurança. Esta viagem serviu para constatar isso mesmo.

P.S.2

Olá Bravo e Rita. Estou a escrever isto no portátil que me ajudaram a configurar, sentados à conversa, na SweetSpot Leiria.

Mau Vinho

Tenho que aproveitar enquanto decidi ter tempo e a cabeça fervilha por isto. Cá vai:

Tenho alguns problemas de ca… Digestão. Depois de uma gastro endoscopia sem resultados negativos e explicativos, decidiram-se pela “bomba atómica”. Uma colonoscopia. Depois de muito protelar um telefonema para o hospital a agendar o procedimento, o hospital fartou-se e ligou-me a mim. Procedimento agendado, recebo pelo correio um pacote que o Lupi recolheu e me entregou – Cão bom! – que tinha papelada a explicar todo o procedimento – resume-se a meter um tubo com uma câmara pelo “proio “ acima – e umas “saquetas”. As saquetas destinavam-se a ser dissolvidas num litro de água cada uma – eram duas -, e tinham que ser bebidas num determinado espaço de tempo, de uma certa maneira. O objetivo era, claro, limpar a tripa.

Depois de uma semana a comer coisas tristes e sem poder beber, se quer, uma cervejinha, sabendo o que me esperava, agarrei na garrafa com o preparado da saqueta que a Sofia me tinha deixado, amorosamente, no frigorífico, uma garrafa de água que devia beber no meio tempo, peguei dos meus dois telemóveis – um com cartão inglês e outro com cartão português -, que, certifiquei-me, estavam carregados, e, por volta das 16h45 mudei-me para a sanita. Ouvi podcasts, li notícias e tretas mais, ao mesmo tempo que ia bebendo a mistela – que até sabia bem até ter deixado de estar fresca. Caramba, cuidados providenciais. Foi sem aviso…

Quando a Sofia chegou a casa – tínhamos estado ao telefone durante a viagem dela do trabalho até casa -, preparou-me a segunda saqueta. Como decidi que não ia prolongar por muito tempo a estada, acelerei a beberagem da segunda saqueta.

Estive na sanita das 16h45 até às 23h30, constantemente, e, depois de ter, finalmente, ido para a cama, ainda me levantei duas ou três vezes. Foi um quinto aniversário de casamento bem romântico!

No dia seguinte uma simpática enfermeira explicou-me tudo outra vez – e.g. …podes morrer mas é improvável…; …dor…;..pedes para parar…; … ar nos intestinos…; sedação…- e segui para a sala do procedimento. Perguntaram-me várias coisas – e.g. se tomava alguma coisa para fortificar o sangue -, respondi que não a tudo, a menos que a Guinness fosse medicamento. Deram-me a sedação e disseram-me que iam esperar para que fizesse efeito. Por fim, disseram-me que ia sentir desconforto, e sim, senti, durante um segundo. Após esse segundo disseram-me: Está feito!

Em meu abono, e para que não existam más-línguas, tenho a dizer: pelo menos não gostei.

Eu sentado na sanita fechada, completamente vestido. Com olhar brincalhão.

P.S.

O um abraço aos meus amigos homossexuais pelos quais sinto amizade, afeto e respeito, que não distingo, e, com orgulho, não tenho que fazer esforço racional para que isso aconteça.