Parabéns, Avó

A minha avó fez anos! Fui ter com ela, ao lar onde está a morar. Das últimas vezes que lá tenho ido, já com o Lupi, é um forrobodó! Toda a gente se quer meter com o cão, desde utentes a funcionários. Quem mais gosta do cão é a minha própria avó. Ela sempre viveu com animais. Cães, gatos, passarinhos onde se incluiu uma pêga que andava à solta, cágados que também andavam à solta – sim, os cágados andavam pela casa, e por pouco não foram minhas vítimas, uma vez que adorava atropelá-los com o triciclo, culpa dos desenhos animados “As Aventuras do Bocas”, onde o Ted, a tartaruga, frequentemente desmontava e voltava a montar a carapaça – pombos, galinhas, patos, etc. De cada vez que chego ao lar, tenho uma forte sensação de que a minha avó tem dificuldade em reconhecer-me. Tento sempre fazer um discreto briefing, de forma a ela ficar a saber quem sou, que neto sou eu e tal, para lhe evitar embaraço, vergonha e tristeza por não me reconhecer – sei bem o que isto é, uma vez que com alguma frequência passo pelo mesmo, quando pessoas se aproximam e me perguntam se as estou a conhecer, ou se sei quem são, se me lembro delas, etc. – aproveito para deixar a nota de que, mentalmente, mando sempre essas pessoas à merda! – situação altamente desconcertante. No entanto, desde que tenho o cão, e apesar de sentir o mesmo, portanto, que ela não me reconhece de rajada, sabe que eu estando ali, o cão também há de estar. Uma vez, aproximei-me dela por trás, e, aconteceu que o cão ficou por trás da cadeira dela, fora do alcance da vista dela. Nem bom dia, nem boa tarde! “O cão?!” No dia dos anos dela, ao chegar, ouvi ainda ao longe “Anda cá à avó!” e eu pensei que ela me tinha identificado. Qual quê?! Estava a falar para o Lupi! Desde bebé em casa dela. Antes de ter idade para o infantário ficava com ela, quando tinha idade para o infantário, os meus pais deixavam-me em casa dela, e era ela que me dava pequeno-almoço – ai que pequenos-almoços… bife na frigideira – sim, era mesmo, não era alucinação infantil! – deixei de tomá-los e é ver como estou agora -, levava-me ao Jardim Escola João de Deus, ia buscar-me – antes do lanche, em virtude da comida servida lá, naqueles tempos ser intragável ao meu paladar – e de mais alguns, a avaliar pela espécie de ola que de vez em quando se fazia em torno da mesa de refeições, mas não era a levantar os bracinhos, era mesmo de vomitanço em série-, mais tarde, ia levar-me à escola primária, a número 2, almoçava em casa dela e passava lá a tarde, passei a almoçar em casa dela desde o 7.º ano ao 12.º – em virtude da comida escolar na altura ser bastante má, e ter ficado o 6.º inteiro sem almoçar para não me sujeitar àquilo, sem os meus pais saberem –  e, durante algumas das hospitalizações da minha mãe,  morei em casa dela. E agora… “Cão, anda cá à avó!”

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