Falta de caco

Ontem fui, pela primeira vez, confrontado com a questão dos sacos pagos. É pá e que confronto! Estava cheio de fome, com a paciência na reserva, em níveis mesmo perigosos e dei por mim, num tom horrível, a pedir à simpática funcionária do restaurante onde eu e a Sofia fomos buscar jantar, a fatura do saco “com contribuinte!” e a explicar, que, se decidisse levar aquilo nas mãos, ia-me queimar e ainda ia haver uma chatice legal, e não sei mais o quê. Enfim, estava parvinho! A fome é horrível. Desculpe, senhora funcionária. Na verdade, eventualmente, o seu patrão é que será parvo!

 

Então, na altura do pré-pagamento não me sabiam dizer que o saco se pagava?! Será que achavam que um tipo com bengala branca e com a sua mulher ia ser capaz de levar as caixas de comida nas mãos sem haver acidente?! É claro que ia ser um bonito espetáculo, não digo que não. Mas era o meu jantar e os intervenientes eram eu e a Sofia.

 

A Sofia ainda tentou, docemente, perguntar-me “não achas melhor dizer à senhora que, pelo menos, às pessoas com mobilidade reduzida podiam oferecer os sacos?”, “Não! É com contribuinte! Não te esqueças… ou melhor, falo eu!”.

 

É muito mais giro quando o desencabresto só faz com que me pendure no carro das compras em pleno Continente. Pelo menos é um tipo de embaraço diferente pelo qual a Sofia, estoicamente, passa e até se diverte.

 

Apesar de tudo, a Sofia só se queixou – com toda a razão – da forma como me dirigi à simpática funcionária. É um amor, o meu Amor!

 

E pronto, desencabrestei-me, ali, no restaurante! e agora tenho uma fatura de um saco!

1 thought on “Falta de caco

  1. Joana

    Ai João, eu a imaginar a DOCE Sofia numa cena dessas até fico arrepiada, mas ao mesmo tempo divertida por imaginar a cena tal como a descreves.
    Eu acho que devias arranjar uma moldura para emoldurares a factura e coloca-la na parede. Ninguém se ia lembrar de pedir factura de uma saco com numero de contribuinte.
    Fazes-me lembrar a minha luta por 32 cêntimos, que tive com os senhores das Scuts. Levaram-me mais dinheiro do que era suposto e eu mandei mails e mails até de darem razão e me devolverem o cheque dos cêntimos. O meu marido dizia ” mas porque raio te dás ao trabalho de te chateares por tão pouco?”.
    Pois a minha resposta era “Pouco ou não, é meu!”
    Há que lutar pelo que temos direito, certo?

    Adorei!

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