Monthly Archives: Fevereiro 2015

Falta de caco

Ontem fui, pela primeira vez, confrontado com a questão dos sacos pagos. É pá e que confronto! Estava cheio de fome, com a paciência na reserva, em níveis mesmo perigosos e dei por mim, num tom horrível, a pedir à simpática funcionária do restaurante onde eu e a Sofia fomos buscar jantar, a fatura do saco “com contribuinte!” e a explicar, que, se decidisse levar aquilo nas mãos, ia-me queimar e ainda ia haver uma chatice legal, e não sei mais o quê. Enfim, estava parvinho! A fome é horrível. Desculpe, senhora funcionária. Na verdade, eventualmente, o seu patrão é que será parvo!

 

Então, na altura do pré-pagamento não me sabiam dizer que o saco se pagava?! Será que achavam que um tipo com bengala branca e com a sua mulher ia ser capaz de levar as caixas de comida nas mãos sem haver acidente?! É claro que ia ser um bonito espetáculo, não digo que não. Mas era o meu jantar e os intervenientes eram eu e a Sofia.

 

A Sofia ainda tentou, docemente, perguntar-me “não achas melhor dizer à senhora que, pelo menos, às pessoas com mobilidade reduzida podiam oferecer os sacos?”, “Não! É com contribuinte! Não te esqueças… ou melhor, falo eu!”.

 

É muito mais giro quando o desencabresto só faz com que me pendure no carro das compras em pleno Continente. Pelo menos é um tipo de embaraço diferente pelo qual a Sofia, estoicamente, passa e até se diverte.

 

Apesar de tudo, a Sofia só se queixou – com toda a razão – da forma como me dirigi à simpática funcionária. É um amor, o meu Amor!

 

E pronto, desencabrestei-me, ali, no restaurante! e agora tenho uma fatura de um saco!

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Para proteger com titânio

No passado dia 6 recebi um presente, daqueles presentes que só se podem receber porque se está rodeado de pessoas especiais.

Tive uma das noites mais divertidas dos últimos meses – provavelmente ainda mais! Uma noite organizada para me ajudar.

Agora, já sem a ânsia do “para ontem”, continuo a juntar o dinheiro necessário ao tratamento a NF2 e as outras causas pessoais, menos urgentes – acho eu –, tratamento que existe em Manchester, já sabendo que a DGS aprovou a parte médica e, portanto, cabendo-me “apenas” o resto – um alívio.

A minha amiga Mónica organizou uma noite no Musiqu3, com o complô da Filipa de Oliveira! Foi absolutamente fantástico!

A Susana Santos – irmã da Mónica – fez algo incrível e delicioso para vender:

Bolacha com cobertura branca a imitar a calçada portuguesa com uma cenoura 3D em cima, cor-de-laranja

A Marília Santos – que não é irmã nem da Mónica nem da Susana – fez os melhores – sim, mesmo! – CupCakes que alguma vez comi:

Cupcake com cobertura cinzenta a imitar a calçada portuguesa com uma cenoura  cima em 3D, cor-de-laranja

Obviamente, também os mais bonitos!

A Adelaide arranjou uns salgadinhos maravilhosos dos quais só resta a memória gustativa que me faz crescer água na boca.

Os 2 (&) 500 – Bruno Julião e Eurico Carlos com Zé Carlos e Ana Santo – deram-nos um concerto que me pôs, a mim e à Sofia, a dançar!

Das recordações físicas que trouxe, só não comi esta:

Baqueta de bateria em madeira castanha-clara oferecida pelo baterista Zé Carlos

Obrigado Zé Carlos!

Foi uma noite que me vai ficar gravada na tola, com muito carinho e, daqui por um mesito, espero, protegida por titânio!

Obrigado a todos, obrigado Mónica!

Tempo para ler

Hoje estive na Unidade de Saúde Familiar Dom Dinis. É impressionante como as coisas funcionam tão bem por lá! Claro que muito – uns 95% – se deve aos profissionais que lá trabalham – se algum ler isto, um grande abraço e um muito obrigado!

Fui lá, à USF, por me sentir meio chocho. Pensava que estava a chocar uma gripe. Ando meio ranhoso, com dor intermitente de garganta e mais umas tretas. Disseram que devia ser uma sinusite assanhada. Calha bem não ser uma gripe e, justamente, ser uma sinusite.

É quase um jackpot. É bom não ser gripe porque assim posso ser operado a um meningioma frontal, que me anda a comer a testa e a amolgar o cérebro e é bom ser sinusite porque no processo cirúrgico, uma vez que o meningioma é tão grande, vão-me desmontar meio nariz – a parte do lado direito – e, portanto, desse lado a questão da sinusite fica resolvida.

Na verdade foi por causa da operação que fui à USF. Uma vez que vou ser operado em breve – fui para lista de espera prioritária ontem – é importante não estar gripado. Diz que se pode patinar e tudo!

Fiquei bastante entusiasmado com a perspetiva de me limparem a sinusite do lado direito do nariz. Causa-me muito transtorno. Inclusivamente, atribuo-lhe parte dos meus problemas de sono.

Mas, o melhor mesmo é que vou ter tempo para ler! Ando a ressacar livros! Desde que comecei a trabalhar, tive muitíssimo pouco tempo para ler e estou a sentir muita falta. Não sou um leitor dedicado, dos que examinam, tomam notas e não sei que mais, mas, gosto muito de ler e descontrai-me muito. Estou ansioso por carregar o meu provecto e fiel iPad de livros e passar horas a ler. Deve ser já para o mês que vem!

É pena ser preciso um meningioma.

Itália #6 – 4.° dia Completo

No último dia de tratamentos, acordámos apreensivos, sem saber se ainda ia haver alguma coisa para comer ao pequeno-almoço. Descemos e fora uns bolos, um tipo de cereais e o leite de soja, sim, ainda havia qualquer coisa! Voltei a forrar-me com café e fomos para o quarto, desta vez, para tentar descansar.

Até à hora de almoço, entre e-mails e alguns telefonemas, não se descansou grande coisa. Fomos a uma pizzaria, a Le Chalet, perto do hotel, onde serviam diárias bastante baratas – pelo menos nas pizzas – comer umas pizzas que nos souberam muito bem, saborosas e bem confecionadas – o restaurante era de pessoas com um ar muito pouco italiano e bastante asiático.

Fomos para a última sessão de tratamentos que, invariavelmente, correu e soube-me muito bem. No final, houve uma longa conversa entre nós e os terapeutas, onde o Diego nos deu inúmeros conselhos, tanto terapêuticos como sobre Manchester, cidade onde viveu 30 anos.

Ao sair da clínica, fomos a um bar lá mesmo ao lado – que me culpo, recrimino e tudo e tudo e tudo, por não me recordar do nome –, por onde passámos todos os dias, várias vezes e cujo comentário da Sofia já tinha sido “temos que ir ali… acho que vais gostar”.

Que bar incrível! Era um daqueles sítios com frequentadores habituais. Grupos de amigos onde todos se conheciam, incluindo o empregado de balcão. Este, ao reparar em mim e na Sofia, atravessou-se à nossa frente, para tirar a mesa onde nos íamos sentar. Sim, tirou a mesa! Não foi para não a usarmos, foi para eu me poder sentar, facilmente, sem estorvos. Assim que me sentei, voltou a pôr a mesa no lugar, no lugar que me dava jeito, de acordo com a minha orientação! Pedi uma cerveja pequena – de 33CL –, uma vez que me estava a guardar para a do Il Tavolino. Juntamente com a cerveja, vieram: duas qualidades de salgadinhos, batatas fritas, duas mini sandes e duas tapas. Quase que ficámos jantados! Bebemos outra cerveja, a minha querida Sofia ofereceu um charuto – igual aos que oferecemos aos convidados no nosso casamento – a uma cliente que estava lá e, nitidamente, fazia daquele estabelecimento uma extensão de sua casa e partimos para o Il Tavolino, pela última vez.

Comi um dos melhores bifes tártaros da minha vida – gosto muito! Tinha um “corte” que lhe dava uma textura que nunca tinha sentido em mais lado nenhum, uma carne fabulosa com um tempero fantástico!

Nesse dia, o Nicolas, o empregado de mesa que nos atendeu por mais vezes, estava chateado. Tinham-lhe rebocado o carro e ia ter que pagar €200 para o reaver. Escrevi isto porque, o Nicolas disse uma coisa que nos deixou muito satisfeitos por estar naquele sítio, onde tudo parecia bem-feito, a comida era deliciosa e, já na altura se percebia o porquê, o serviço tinha um preço um pouco acima da média. O Nicolas disse que ia ter que trabalhar um dia para resolver o problema. Sim, ficou bem claro que o Nicolas conseguia receber €200 por dia. Um bem-haja ao Il Tavolino!

Pedimos para cumprimentar o chef e a ambos – ao chef. Gaspar e ao Nicolas – para nos assinar o cartão-de-visita do Il Tavolino.

verso do cartão autografado parte da frente do cartão

Bebemos Limoncello, agradecemos e despedimo-nos com um “See you!”, que refletiu a nossa vontade em voltar lá.

Fomos para o hotel passar a última noite desta estadia em Milão.

No dia seguinte, um sábado, foi com alívio que confirmámos as minhas suspeitas. Recarregaram as coisas boas do pequeno-almoço! Voltei a comer os pães, bolos, queijos, compota e expressos, tal qual como no primeiro dia. Fizemos check-out, apanhámos um táxi para fazer os 200m que nos separavam da estação central de Milão – as malas eram terrivelmente pesadas e fomos tentar ir para Veneza!

Itália #5 – 3.° dia Completo

No terceiro dia era a felicidade, praticamente, total – faltava ver se a garrafa de vinho estava na mala e inteira. Já não precisávamos de ir ao centro da cidade, nem de comprar mais roupa. Com roupa interior lavadinha, calcei as minhas pantufas novas – lindas, made in China, que tenho calçadas
enquanto escrevo – e descemos para tomar o pequeno-almoço. A juntar ao que já não havia no dia anterior – i.e.um tipo de pão e um queijo amanteigado –, faltava um outro tipo de queijo de que também gostava muito – curado, maravilhoso – um tipo de mini croissants, uns pacotinhos de uma manteiga deliciosa – prealpi burro – e uma compota de alperce que andava a usar misturada com água, tipo xarope, para fazer uma espécie de sumo. Comemos do que havia, dopei-me com não sei quantos cafés expresso – que, entretanto, o empregado de mesa tinha entendido que gostava de ir bebendo antes, durante e depois do pequeno-almoço – e fomos à receção buscar as malas.
Chegados ao quarto, pude, finalmente, respirar de alívio. A garrafa estava lá, inteira!! Nesse dia, como andávamos a tratar da toda a situação da ida ao centro de NF em Manchester, o que incluía a Gala Solidária Cenoura na Calçada, ficámos no quarto, a processar e responder a e-mails. Saímos do quarto para almoçar, no restaurante do hotel e, em conformidade com as palavras do Abdu, realmente, a “escolha” lá era pouca! Até à hora do tratamento, continuámos a tratar da informação referente à Gala.
Aqui, importa-me contar um telefonema que recebemos, da Gabriela, a explicar e a pedir desculpa, por estar 15 minutos atrasada. Sim, um quarto de hora. Fomos avisados de que não valia a pena estar lá a horas, pois a disponibilidade da Doutora Gabriela, que nos avisou, na primeira pessoa, era só passados quinze minutos da hora marcada. Assim está bem! Depois da sessão de acupunctura, a de Sacrocraniana foi ainda mais especial. Eram cinco terapeutas! O Diego levou um quinto elemento.
Saímos, novamente nas nuvens, e executámos o que para nós, já era a rotina habitual – i.e. comprar água no Carrefour e ida ao Il Tavolino.
A Sofia comeu um tagliatelle com tomate e eu uma das melhores carnes da minha vida! Era um bife
absolutamente, repito, absolutamente, fantástico! Era só grelhado, tinha altura, talvez, de uma polegada, e quase não era preciso cortar. A recordação faz-me crescer água na boca!
P.S. Vou tentar acelerar, tenho muitas coisas para contar!