Itália #1 – Ida

A terapia Sacrocraniana em Itália foi maravilhosa! Mas a viagem foi tão rica que decidi escrever mais sobre ela! E, para tornar as coisas um pouco mais percetíveis, decidi escrever de forma cronológica.

A viagem de ida, por exemplo, foi fantasticamente enriquecida por um dia de greve do pessoal de terra do aeroporto!

Eu, como passageiro com muito baixa visão, requisito sempre assistência em terra, mesmo acompanhado. É muito importante! Facilita imenso o processo de despachar bagagem, controlos de segurança e embarque. Era uma sobrecarga imensa para a Sofia e uma de stresse para mim, desnecessárias! Assim, chegados ao terminal, tentei, no local próprio, chamar a assistência – é um posto onde está um telefone que ao levantar faz, automaticamente, chamada para a empresa responsável, no caso a My Way. Ninguém atendeu! Tinha começado…

Lá teve que ir a minha querida Sofia, não sei exatamente onde, desencantar o senhor da My Way, que veio competentemente para nos ajudar. Diligentemente lá nos foi explicando que estava tudo “muito complicado… quase nos mínimos”. A hora de embarque chegou mas o embarque nem tanto! Fomos, mais uma passageira de cadeira de rodas, transportados numa carrinha – o nosso avião não estava em manga – transportados até um outro veículo que, por sua vez, faz de grua, eleva a cadeira de rodas até à altura do avião e “liga” com a porta, de modo a podermos embarcar – é uma espécie de uma cabine fechada, elevatória, que dará para umas 10 ou 15 pessoas. E lá fomos nós elevados até à porta do avião.

Passados uns 20 minutos e comentários como “- Eu não vi movimentações de nenhumas de malas para este voo…”, ditas pelo senhor da My way, que operavam o veículo, o dito senhor resolveu ir bater à porta do avião. Bater-à-porta-do-avião! Eu não conhecia o conceito, mas achei que tinha pinta ir bater à porta de um A319 – o Vieira da Silva, da TAP –, apoiado por uma cabine elevatória.

Não havia tripulação.

Parecia o cenário de um filme – acho eu, não vejo filmes. Ouviam-se os turboélices a rodar só com o vento – tractractractractrac –, o próprio vento – muito vento! -, o motor a gasóleo do veículo elevatório da assistência, os senhores da My Way na cavaqueira e eu a proferir umas palavras que não valem a pena reproduzir.

A cabine baixou, desligou motor e a tripulação apareceu.Ligaram o motor, a cabine subiu até ao avião e entrámos.

Era eu e a Sofia e a passageira em cadeira de rodas e quem a acompanhava, só! Durante quase uma hora, hora essa que o voo atrasou e a porta do avião esteve aberta. Parece que estava trancada pela escada de acesso e não podia ser fechada. Eu e a Sofia estávamos na fila de trás, do lado oposto ao da porta que estava aberta. Rapámos tanto, mas tanto tanto tanto frio! Era uma corrente de ar de pista de aeroporto, a tal que estava a fazer rodar os Turboélices.

Em quanto a assistente de bordo se foi abrigar para a parte da frente do avião, eu e a Sofia pegámos nas mantas de dormir e embrulhámo-nos muito bem embrulhadinhos.

Descolámos, depois de mais de uma hora de atraso, de ter ligado para a Lusoviagens a pedir para contactarem a empresa de transferes para não se irem embora e sempre com as mantinhas, para tentar reestabelecermo-nos da rapança de frio.

A viagem foi agradável. A assistente de bordo arranjou-nos o Público, a Sofia leu alto alguns artigos para nós e a refeição era boa – sim, eu gosto da comida de avião, muito! Quem diz mal devia ir ao restaurante onde cheguei a ir almoçar nos primeiros dias de trabalho na GAIP! Havia vinho, Monte Velho de 2013 – bem bom – bebi uns copinhos, dois e dei a provar à Sofia. A Sofia não bebe, mas gosta de um golinho de vinho e, toda entusiasmada para provar, levou o copo aos seus lábios, lindos, no exato momento em que passámos por um poço de ar e a manta teve uma função inesperada. Tinha sido, praticamente, uma tragédia! A manta ficou numa lástima.

Como tudo estava a correr bem, decidi pedir mais um bocadinho de vinho e, dirigindo-me ao assistente de bordo, pedi “só dois dedinhos”, em quanto mostrava com a minha mão, no copo, como devia ser – dois dedos de vinho, a tapar o lado do copo, em baixo. O senhor, claro, não entendeu pevas e trouxe dois, mas dois copos e bem cheiinhos!

E pronto, lá fui eu a beber vinho o resto da viagem, até aterrarmos em Malpensa.

Aterrámos e a assistência veio para nos ajudar. A recolha das bagagens foi muito rápida, uma vez que não estavam lá e o senhor da assistência percebeu isso muito proficientemente. Só tive que ligar para o transfere – desta vez eu – a pedir para esperarem em quanto tentávamos declarar a perda das malas e recolher aqueles night kits. Fiquei doido! Sempre quis ver um kit daqueles! Ainda desbaratinei um bocado com a senhora que tratava das malas mas só até a Sofia me dizer quera “a senhora da cadeira de rodas que carinhosamente nos está a esclarecer”. Mas, até já estava feliz por ter perdido as malas… um night kit! Fiquei em pulgas para chegar ao hotel, só para ver o que vinha no kit, ainda tentei abri-los no aeroporto, mas, a Sofia controlou-me.

O transfere correu bem para mim e médio para a Sofia. O taxista era arraçado de piloto e a chuva e o trânsito não tinham expressão para ele. A Sofia ia nervosa, com medo de mandarmos uma “tosta” e eu todo satisfeito por ir ver o night kit rapidamente.

Até estou cansado de escrever! Acho que por hoje fico por aqui.

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1 thought on “Itália #1 – Ida

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