Monthly Archives: Dezembro 2014

Itália #2 – Chegada a Milão

Em meio a delírios causados por privação de sono, vou tentar redigir mais um pouco da nossa – minha e da Sofia – jornada em Itália. Quem sabe se até fica mais… sentida!

Ora, no último post sobre Itália, ia ainda na parte do táxi, a caminho do hotel.

O taxista apresentou-nos a rua onde era a clínica onde ia fazer a terapia e descarregou-nos no hotel.

Chegámos inteirinhos, eu quase eufórico – ia abrir o night kit – e a Sofia um bocadinho mais contida. Voltou a respirar, pegou nas malas, em mim e entrámos. No hotel – o BEST WESTERN Hotel Madison – “esperava-nos” um simpático rececionista que sabia falar inglês – na altura, ainda não sabíamos que isso era uma sorte! Era o Abdu, o grande Abdu!

Fez-nos o check in e perguntou à Sofia, claro “he can’t see, right?!”. A Sofia disse que sim e o Abdu deu-nos uns papéis para assinar. Não li, mas sei que foi devido a isso que nem eu nem a Sofia tivemos que pagar a taxa turística – no nosso hotel, em Milão, a taxa são €5 noite por pessoa, o que parece muito, e é, mas, quem já lá esteve sabe que não é apenas “muito”!

Fomos para o quarto e eu fui ver os night kits – meu e da Sofia.

Meu

• t-shirt branca, sem nada, tamanho n/a onde cabia, facilmente, um norueguês obeso;

• Escova de dentes;

• Alguns cotonetes;

• Mini-pasta de dentes Colgate;

• Detergente em pó para lavar roupa;

• Escova com espelho embutido;

• Champô condicionador Crabtree & Evelyn;

• Gel de banho cuja embalagem não acho e portanto não posso escrever a marca;

• Gilete descartável;

• Mini-espuma para a barba Senzai;

• Mini-desodorizante Rexona for Man.

Tudo acondicionado numa bolsa plástica da Star Alliance, retangular, preta com fecho éclair.

Sofia:

• Ibidem.

E a lista de compras aumentou.

Ligámos ao Abdu para saber se recomendava algum sítio para comermos. Ele, delicadamente, explicou que o restaurante do hotel tinha pouca variedade de pratos, que podíamos comer lá, mas que havia pouca variedade de pratos, mas que podíamos mesmo comer lá, que havia um restaurante bom ali ao lado e que, no hotel, havia pouca variedade de pratos, mas que, segundo a Sofia, e já no lobby, o Abdu de nariz enesgado, disse, que podíamos comer lá! E pronto, fomos então dar a primeira caminhada por Milão, até ao restaurante Il Tavolino, porque a variedade interessava-nos muito.

Encontrámos um sítio fantástico! Decoração tipo casa da avó, visibilidade para a cozinha onde havia um forno a lenha e empregados educados e vestidos a preceito. A Sofia comeu uma massa maravilhosa, com tomates cereja e mais umas coisas boas que não me recordo, e eu um simples mas delicioso e magnificamente confecionado risoto à milanesa. Bebi um copo de vinho branco toscano, que nos fez lembrar o vinho que tivemos na mesa do nosso casamento e acabámos com um licor de limão, limoncello, que já não bebia desde que estive a estudar na Eslováquia, em 2008/9, que faz com que seja possível digerir uma vaca inteira, ossos e tudo, em meia hora.

Voltámos para o hotel, a saber onde íamos jantar no dia seguinte, desertinhos para descansar, para recarregar baterias para o dia seguinte.

As compras de roupa interior e o primeiro dia de terapia estavam mesmo ali. Mas, tem que ficar para outro post, que a vida e o cansaço assim o obrigam!

Agora nós…

Amanhã eu e a Sofia, depois do trabalho, vamos até Lisboa. Vamos lá jantar e passar a noite. Muito fino, não?

O que se passa é que, após alguns generosos convites para ir a programas de televisão, eu e a Sofia decidimo-nos e aceitámos um.

Sem desmérito para nenhum dos programas para os quais fomos convidados, achámos que o tom do Agora Nós, da RTP1, era o que mais nos agradava.

Mesmo assim, foi uma decisão complicada. A verdade é que não sou fã dos programas da manhã, nem dos da tarde. Quando era miúdo, via a Praça da Alegria só para ver a Sónia Araújo e ouvir a Orquestra Salão Jardim. Entretanto, já nem a televisão ligo. Não há nada que me chame a atenção na televisão. Apesar disso, reconheço a sua importância e impacto.

Mas, foi perante algumas situações, que me foram dadas a conhecer, tristes e graves, que eu e a Sofia cedemos, e assentimos ir à televisão.

Ontem estivemos a filmar uma entrevista introdutória, onde amigos também falaram. O Francisco Serôdio, o jornalista, foi um porreiro. Vamos ver se o trabalho vai corresponder! Eu acho que sim!

Portanto, na terça-feira, entraremos em direto no Agora Nós. Sabemos que terá que ser antes do meio-dia, uma vez que a partir dessa hora o formato do programa é informativo.

É isso! Vamos à TV! Por isso vamos amanhã para Lisboa, para que não tenhamos que nos levantar de madrugada na terça-feira – já basta quando é para ir para o trabalho! – E ter que fazer uma viagem até à RTP, com um direto no horizonte.

Vamos aproveitar ao máximo!

Itália #1 – Ida

A terapia Sacrocraniana em Itália foi maravilhosa! Mas a viagem foi tão rica que decidi escrever mais sobre ela! E, para tornar as coisas um pouco mais percetíveis, decidi escrever de forma cronológica.

A viagem de ida, por exemplo, foi fantasticamente enriquecida por um dia de greve do pessoal de terra do aeroporto!

Eu, como passageiro com muito baixa visão, requisito sempre assistência em terra, mesmo acompanhado. É muito importante! Facilita imenso o processo de despachar bagagem, controlos de segurança e embarque. Era uma sobrecarga imensa para a Sofia e uma de stresse para mim, desnecessárias! Assim, chegados ao terminal, tentei, no local próprio, chamar a assistência – é um posto onde está um telefone que ao levantar faz, automaticamente, chamada para a empresa responsável, no caso a My Way. Ninguém atendeu! Tinha começado…

Lá teve que ir a minha querida Sofia, não sei exatamente onde, desencantar o senhor da My Way, que veio competentemente para nos ajudar. Diligentemente lá nos foi explicando que estava tudo “muito complicado… quase nos mínimos”. A hora de embarque chegou mas o embarque nem tanto! Fomos, mais uma passageira de cadeira de rodas, transportados numa carrinha – o nosso avião não estava em manga – transportados até um outro veículo que, por sua vez, faz de grua, eleva a cadeira de rodas até à altura do avião e “liga” com a porta, de modo a podermos embarcar – é uma espécie de uma cabine fechada, elevatória, que dará para umas 10 ou 15 pessoas. E lá fomos nós elevados até à porta do avião.

Passados uns 20 minutos e comentários como “- Eu não vi movimentações de nenhumas de malas para este voo…”, ditas pelo senhor da My way, que operavam o veículo, o dito senhor resolveu ir bater à porta do avião. Bater-à-porta-do-avião! Eu não conhecia o conceito, mas achei que tinha pinta ir bater à porta de um A319 – o Vieira da Silva, da TAP –, apoiado por uma cabine elevatória.

Não havia tripulação.

Parecia o cenário de um filme – acho eu, não vejo filmes. Ouviam-se os turboélices a rodar só com o vento – tractractractractrac –, o próprio vento – muito vento! -, o motor a gasóleo do veículo elevatório da assistência, os senhores da My Way na cavaqueira e eu a proferir umas palavras que não valem a pena reproduzir.

A cabine baixou, desligou motor e a tripulação apareceu.Ligaram o motor, a cabine subiu até ao avião e entrámos.

Era eu e a Sofia e a passageira em cadeira de rodas e quem a acompanhava, só! Durante quase uma hora, hora essa que o voo atrasou e a porta do avião esteve aberta. Parece que estava trancada pela escada de acesso e não podia ser fechada. Eu e a Sofia estávamos na fila de trás, do lado oposto ao da porta que estava aberta. Rapámos tanto, mas tanto tanto tanto frio! Era uma corrente de ar de pista de aeroporto, a tal que estava a fazer rodar os Turboélices.

Em quanto a assistente de bordo se foi abrigar para a parte da frente do avião, eu e a Sofia pegámos nas mantas de dormir e embrulhámo-nos muito bem embrulhadinhos.

Descolámos, depois de mais de uma hora de atraso, de ter ligado para a Lusoviagens a pedir para contactarem a empresa de transferes para não se irem embora e sempre com as mantinhas, para tentar reestabelecermo-nos da rapança de frio.

A viagem foi agradável. A assistente de bordo arranjou-nos o Público, a Sofia leu alto alguns artigos para nós e a refeição era boa – sim, eu gosto da comida de avião, muito! Quem diz mal devia ir ao restaurante onde cheguei a ir almoçar nos primeiros dias de trabalho na GAIP! Havia vinho, Monte Velho de 2013 – bem bom – bebi uns copinhos, dois e dei a provar à Sofia. A Sofia não bebe, mas gosta de um golinho de vinho e, toda entusiasmada para provar, levou o copo aos seus lábios, lindos, no exato momento em que passámos por um poço de ar e a manta teve uma função inesperada. Tinha sido, praticamente, uma tragédia! A manta ficou numa lástima.

Como tudo estava a correr bem, decidi pedir mais um bocadinho de vinho e, dirigindo-me ao assistente de bordo, pedi “só dois dedinhos”, em quanto mostrava com a minha mão, no copo, como devia ser – dois dedos de vinho, a tapar o lado do copo, em baixo. O senhor, claro, não entendeu pevas e trouxe dois, mas dois copos e bem cheiinhos!

E pronto, lá fui eu a beber vinho o resto da viagem, até aterrarmos em Malpensa.

Aterrámos e a assistência veio para nos ajudar. A recolha das bagagens foi muito rápida, uma vez que não estavam lá e o senhor da assistência percebeu isso muito proficientemente. Só tive que ligar para o transfere – desta vez eu – a pedir para esperarem em quanto tentávamos declarar a perda das malas e recolher aqueles night kits. Fiquei doido! Sempre quis ver um kit daqueles! Ainda desbaratinei um bocado com a senhora que tratava das malas mas só até a Sofia me dizer quera “a senhora da cadeira de rodas que carinhosamente nos está a esclarecer”. Mas, até já estava feliz por ter perdido as malas… um night kit! Fiquei em pulgas para chegar ao hotel, só para ver o que vinha no kit, ainda tentei abri-los no aeroporto, mas, a Sofia controlou-me.

O transfere correu bem para mim e médio para a Sofia. O taxista era arraçado de piloto e a chuva e o trânsito não tinham expressão para ele. A Sofia ia nervosa, com medo de mandarmos uma “tosta” e eu todo satisfeito por ir ver o night kit rapidamente.

Até estou cansado de escrever! Acho que por hoje fico por aqui.

Tenho tanto soninho!

Queria tanto começar a contar tudo sobre a terapia que fiz e a viagem… mas estou tão cansadinho! Tenho tantas coisas para escrever e preparar… Mails para enviar ainda hoje, uma palestra para preparar para sexta-feira, um workshop para sábado de manhã/tarde, pensar no que vou dizer numa hipotética entrevista para aparecer na RTP1, terça-feira, a filmar no sábado à tarde, depois do workshop – eu e a Sofia vamos ao programa da manhã “Agora Nós” –, mais coisas que ainda não são para contar – mas serão em breve –,tenho muito soninho e amanhã às 7h30 estou no escritório.

Desculpem, não sou capaz de escrever o post de que gostaria! Vai ser em breve! A viagem toda precisa de vários. Adianto apenas que a terapia foi fantástica!

Obrigado, não quero

É louvável a quantidade de pessoas que se disponibiliza para ajudar, em variadíssimas situações, desde tarefas do dia-a-dia até às coisas menos banais. Toda a ajuda que me é oferecida é, genuinamente, agradecida. Contudo, felizmente, não preciso de todas as ofertas.

Acontece, com alguma frequência, receber ofertas de ajudas de que não preciso ou, simplesmente, não quero.

Acontece ainda, que tão relevante quanto a necessidade, acho mesmo que até mais relevante, é que até aos dias de hoje, tenho um sentimento, muito, mas mesmo muito importante, que, frequentemente, despoleta um outro, ao qual é dada mais importância, estupidamente, na minha opinião, claro. Refiro-me então à “vontade”, que é muito importante, e a “vergonha”, à qual é dada demasiada importância.

Ora, sendo eu um energúmeno com muita vontade e muito menos vergonha, com frequência ajo em conformidade. Resultado: pessoas ofendidas!

Lamento, de verdade! Mas, não vou deixar de dizer “não” apenas porque alguém está com muita vontade, lá está, vontade, ou tem gosto em ajudar.

A resposta “não” não significa desgostar, não ter respeito, desdenhar, descordar, nem é pessoal. É só não! Não quero.

Eu, para além do social defeito de ter vontade, padeço de outro que, esse sim, já cabe no meu próprio espectro de defeito. Tenho pouca paciência. É triste, mas a verdade é que para além dos achaques extras de saúde que tenho, acumulo com os das pessoas normais! Eu, com a pouca vergonha e muita vontade que tenho, sou descarado o suficiente para dizer que “sim” à primeira, caso queira mesmo. Não é preciso insistir.

Sempre que não quiser, vou dizer “não” e ficarei agradecido na mesma. Será assim, até ter forças!

P.S. Vontade: http://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/vontade

Vergonha: http://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/vergonha