Quota máxima de chatices

Ontem, depois de um dia longo e de algum desgaste – detesto impressoras e quanto mais caras, pior! – fui tentar comprar uma sanita. Sanita, sim! Estava de rastos, cansado, com fome e, por inerência, com a paciência na reserva.

Chegados à loja, eu e a Sofia, vimos um modelo de sanita e eu pensei que era fixe ”só há um, vai ser rápido!”. Pensei, ingenuamente, que era algo do género: – olá, quero uma sanita. Quanto custa ir lá montar uma nova e desaparecer com a antiga?

Veio um vendedor e disse: – podem ir lá a cima ver a exposição que eu já lá vou ter com vocês. – fiquei para morrer!

Há sanitas muito giras, há sim senhor! Pequeninas, para os garotos, quadradas – deve ser tramado de limpar as arestas –, de cor preta, etc.. O problema é que eu não queria saber daquilo para nada e o vendedor sem aparecer! Quando estava quase a telefonar para a loja, para explicar que estava lá em cima, prestes a desistir de lhes comprar uma sanita, com a Sofia a dizer para ter calma, esperar só mais um bocadinho, apareceu, finalmente, um vendedor!

É pah, que vendedor tão simpático! Foi um horror!

O senhor, com tanta conversa e solicitude, deu-me cabo do resto dos nervos. Acho que se visse cores, tinha-me acontecido aquele fenómeno de ficar a ver tudo vermelho. Agarrei-me à Sofia, para tentar não “destrancar” e evitei falar. Tudo isto em quanto descobria que “ – Não, não fazemos montagens.” E que as sanitas se vendem numa modalidade tipo triple play, sanita + autoclismo + tampa, que os preços que estão escritos não servem de nada porque “- não não, eu faço um descontozinho…” que, aparentemente, já está instituído e impede-me de comparar preços convenientemente, pelo menos sem visitar todas as lojas de sanitas nas quais posso ser cliente e ouvia, muita, mesmo muita conversa, que ajudava a criar a atmosfera correta, de acordo com a exposição que nos rodeava.

Acho que acabei por não bater ao simpatiquíssimo vendedor, porque contou a melhor história que alguma vez ouvi de tacanhice económica, que aproveito para partilhar: Houve, um dia, uma alminha vetusta, claro, que deu cabo de três mecanismos de autoclismo, até os técnicos darem conta que o problema era a senhora aproveitar o dito para demolhar caras de bacalhau!

Devia existir uma quota máxima de chatices a que um indivíduo é exposto, que o Universo se encarregaria de respeitar.

Será que alguém me pode recomendar uma boa loja de sanitas?

2 thoughts on “Quota máxima de chatices

  1. David Teles

    Oh! João. Contrata um canalizador de confiança que ele leva a sanita mais adequada aos furos existentes e monta no sítio.
    É muito mais fácil e poupa uma trabalheira.
    (mas pronto, ganhaste uma boa história!)

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